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terça-feira, 3 de junho de 2025

Exegese de Gênesis: Chuva, Agricultura e o Tempo da Arca de Noé

Exegese de Gênesis: Chuva, Agricultura e o Tempo da Arca de Noé

Por Rafael dos Santos Serafim

Algumas interpretações populares das Escrituras afirmam que "no tempo de Noé não chovia" e que a construção da arca levou 120 anos. No entanto, ao examinarmos os textos com cuidado exegético e gramatical, percebemos que tais afirmações não são tão sólidas quanto parecem. Este artigo busca esclarecer essas questões com base em Gênesis 2:5 e outros trechos correlatos.

1. Havia chuva no tempo de Noé?

A ideia de que não chovia no tempo de Noé é comumente baseada em Gênesis 2:5-6, que diz:

“...não havia ainda nenhuma planta do campo na terra, pois nenhuma erva do campo tinha ainda brotado; porque o Senhor Deus não tinha feito chover sobre a terra, nem havia homem para lavrar a terra.” (Gênesis 2:5)

O texto sugere que a ausência de chuva até então estava relacionada à ausência de cultivo humano. Isso é reforçado pelo versículo seguinte:

“Uma neblina subia da terra e regava toda a superfície do solo.” (Gênesis 2:6)

A irrigação no Éden, portanto, era feita de forma diferente do sistema de chuvas como o conhecemos. Contudo, o texto não afirma que nunca choveu posteriormente antes do dilúvio. O que se observa é que a chuva, tal como descrita em Gênesis 7:4 ("farei chover sobre a terra quarenta dias e quarenta noites..."), talvez tenha sido um fenômeno inédito na forma e intensidade como ocorreu durante o dilúvio, mas não se pode afirmar categoricamente que jamais havia chovido antes.

O uso de “porque” em Gênesis 2:5

Do ponto de vista gramatical, o “porque” usado em Gênesis 2:5 é uma conjunção causal, pois apresenta a razão da ausência das plantas do campo: “porque o Senhor Deus não tinha feito chover sobre a terra, nem havia homem para lavrar a terra”. Isso confirma que a chuva e a ação humana seriam os meios naturais para o brotar das ervas do campo.

2. Noé levou 120 anos para construir a arca?

Essa é outra afirmação popular, baseada principalmente em Gênesis 6:3:

“Então disse o Senhor: O meu Espírito não agirá para sempre no homem, porque ele é carnal; os seus dias serão cento e vinte anos.” (Gênesis 6:3)

Alguns interpretam esses 120 anos como o tempo dado à humanidade antes do dilúvio e, por consequência, o tempo de construção da arca. No entanto, essa é uma inferência teológica, não uma afirmação direta do texto.

O que o texto realmente diz?

  • Gênesis 5:32 – “Era Noé da idade de quinhentos anos, e gerou Noé a Sem, Cam e Jafé.”
  • Gênesis 7:6 – “E era Noé da idade de seiscentos anos quando o dilúvio das águas veio sobre a terra.”

Ou seja, havia um intervalo de até 100 anos entre o nascimento dos filhos e o início do dilúvio. Como a ordem para construir a arca vem depois (Gênesis 6:14), é mais preciso afirmar que o tempo de construção da arca foi entre 70 e 100 anos, e não 120 anos.

Além disso, muitos estudiosos entendem que os “120 anos” de Gênesis 6:3 referem-se a um limite de longevidade humana imposto por Deus após o dilúvio, já que a expectativa de vida foi gradualmente reduzida ao longo das gerações seguintes.

Conclusão

Ao fazer uma leitura mais atenta e exegética do texto bíblico, percebemos que:

  • Não há base bíblica definitiva para afirmar que nunca choveu até o dilúvio.
  • Gênesis 2:5 usa a conjunção “porque” em sentido causal, explicando a ausência de vegetação como resultado da falta de chuva e do trabalho humano.
  • Gênesis 6:3 não afirma que a arca foi construída em 120 anos. O período provável de construção está entre 70 e 100 anos, com base nos dados genealógicos.

Essas observações nos convidam a lidar com o texto bíblico com reverência e cuidado, evitando afirmações que vão além do que a Escritura realmente diz.

© 2025 Rafael dos Santos Serafim. Todos os direitos reservados.

quinta-feira, 29 de maio de 2025

Deus nos prova além do que podemos suportar? Uma análise teológica de 1 Coríntios 10:13

Texto base: “Não vos sobreveio tentação que não fosse humana; mas Deus é fiel e não permitirá que sejais tentados além das vossas forças; pelo contrário, juntamente com a tentação, vos proverá livramento, de sorte que a possais suportar.” (1 Coríntios 10:13 - ARA)

🔍 Palavra-chave no original grego:

  • Tentação = peirasmos (πειρασμός): pode significar tanto tentação ao pecado quanto provação ou teste.

O contexto de 1 Coríntios 10 fala das tentações enfrentadas pelos israelitas no deserto, servindo de advertência para os cristãos de Corinto. O foco principal do texto é a tentação ao pecado, embora o termo também carregue um sentido mais amplo de provações.

📚 O que dizem os principais comentaristas?

🔹 John Stott

Destaca que o versículo mostra a fidelidade de Deus em prover forças e escape, não que toda provação seja suportável por mérito humano. O escape é uma dádiva divina.

🔹 Gordon Fee

Enfatiza que Paulo não está prometendo invencibilidade, mas que sempre há um caminho providenciado por Deus para resistir ao pecado.

🔹 D. A. Carson

Afirma que a promessa de 1 Coríntios 10:13 se refere à tentação ao pecado, e não a todas as dificuldades da vida. Não deve ser usada como justificativa para exigir força sobre-humana de alguém sofrendo.

🔹 William MacDonald

Reforça que o “escape” é a graça para dizer não ao pecado. Isso requer dependência de Deus.

✅ Conclusão Teológica:

  • Erro comum: Afirmar que "Deus nunca nos dá mais do que podemos suportar" em relação a todas as dificuldades da vida é uma distorção do texto.
  • Afirmação correta: O texto afirma que Deus nunca permitirá que sejamos tentados ao pecado sem um escape possível. Ele é fiel em prover saída.

📖 Complemento bíblico:

Em provações que excedem nossas forças, como enfermidades ou luto, Deus nos convida a depender dEle. Como Paulo ouviu do Senhor:

“A minha graça te basta, porque o poder se aperfeiçoa na fraqueza.” (2 Coríntios 12:9)

🧎 Aplicação Pastoral:

  • Nas provações: Deus nos sustenta com Sua presença, mesmo que a dor ultrapasse nossas forças naturais.
  • Nas tentações: Deus sempre oferece uma saída. Nunca somos obrigados a pecar.

“Fiel é Deus, que não permitirá que sejais tentados além das vossas forças.”

quinta-feira, 22 de maio de 2025

Questionário: Doenças Psicossomáticas na Bíblia

Questionário: Doenças Psicossomáticas na Bíblia

1. Qual personagem sofria de rancor excessivo contra alguém que nada lhe fez? a) Nabucodonosor b) Saul c) Naamã d) Urias e) Balaão

2. Qual personagem apresenta um quadro de depressão profunda com desejo de morrer? a) Jonas b) Samuel c) Pedro d) Caim e) Abraão

3. Quem teve uma crise de ansiedade intensa a ponto de suar sangue? a) Davi b) Moisés c) Jesus d) Paulo e) Elias

4. Qual personagem demonstra orgulho patológico, sentindo-se superior a todos ao seu redor? a) Herodes b) Paulo c) Neemias d) Mardoqueu e) Elias

5. Quem apresentou paranoia e delírios de perseguição, mesmo com provas contrárias? a) Jacó b) Saul c) Caim d) Pedro e) Davi

6. Quem ficou fisicamente doente (lepra) por um problema emocional (ira e preconceito)? a) Naamã b) Miriam c) Geazi d) Moisés e) Eliseu

7. Quem manifestou ódio doentio e desejo de extermínio por puro orgulho ferido? a) Faraó b) Herodes c) Hamã d) Esaú e) Judas

8. Quem apresentou sintomas de baixa autoestima compensada com arrogância? a) Zaqueu b) Judas c) Nabucodonosor d) Tomé e) Davi

9. Quem sofreu de amargura da alma a ponto de chorar constantemente? a) Maria Madalena b) Rute c) Ana d) Débora e) Marta

10. Quem entrou em estado de culpa tão intenso que buscou a morte como fuga? a) Pedro b) Judas c) Davi d) Caim e) Absalão

O Lado Sombrio das Bets: Como as Apostas Online Estão Destruindo Famílias Brasileiras

O LADO SOMBRIO DAS BETS

Como as Apostas Online Estão Destruindo Famílias Brasileiras

⚠️ ALERTA NACIONAL ⚠️

Milhões de brasileiros estão perdendo tudo em apostas online. Famílias destruídas, jovens endividados e uma crise social sem precedentes.

O vício em apostas online tem devastado famílias em todo o Brasil

🚨 O Cenário Atual: Uma Epidemia Silenciosa

O Brasil vive uma verdadeira epidemia de apostas online. O que começou como uma "diversão inocente" transformou-se no maior problema social dos últimos anos. As casas de apostas, conhecidas como "bets", exploram de forma predatória milhões de brasileiros, especialmente os mais vulneráveis economicamente.

Estas empresas, muitas delas estrangeiras, drenam bilhões de reais da economia brasileira enquanto destroem vidas e famílias. O modelo de negócio é simples e cruel: viciar o maior número possível de pessoas em apostas, garantindo lucros exorbitantes à custa do sofrimento humano.

R$ 68 BI
Movimentados pelas bets em 2023
20 MI
Brasileiros apostando regularmente
600
Casas de apostas ativas no país
Crescimento explosivo das apostas online deixa rastro de destruição

💰 A Máquina de Dinheiro das Casas de Apostas

Números que Assustam

As casas de apostas movimentaram mais de R$ 68 bilhões apenas em 2023, segundo dados do Banco Central. Deste montante astronômico, apenas uma pequena parcela retorna aos apostadores. A grande maioria vai direto para os cofres dessas empresas, muitas vezes sediadas em paraísos fiscais.

O modelo é matematicamente perverso: as casas sempre ganham. Elas usam algoritmos sofisticados e análises comportamentais para garantir que os usuários percam o máximo possível. Odds manipuladas, promoções enganosas e sistemas viciantes são apenas algumas das táticas empregadas.

Fato Alarmante: Para cada R$ 100 apostados, em média apenas R$ 5 retornam aos jogadores a longo prazo. Os outros R$ 95 ficam com as casas de apostas.

Essas empresas investem milhões em marketing agressivo, patrocinando times de futebol, influenciadores e bombardeando as redes sociais com promessas de "dinheiro fácil". Celebrities são pagas para promover a ilusão de que apostar é um caminho para o enriquecimento, quando na realidade é exatamente o oposto.

Famílias enfrentam endividamento extremo devido às apostas online

🏠 O Endividamento das Famílias Brasileiras

As histórias são sempre similares e devastadoras: pais de família que começam apostando "só R$ 20" e acabam perdendo o salário inteiro. Mães que penhoram joias e eletrodomésticos para continuar apostando. Jovens que contraem empréstimos no nome dos pais para alimentar o vício.

O perfil típico da vítima é preocupante: 68% são homens entre 25 e 45 anos, muitos com filhos e responsabilidades familiares. A classe média baixa e os trabalhadores informais são os mais atingidos, justamente aqueles que menos podem se dar ao luxo de perder dinheiro.

40%
Dos apostadores contraem dívidas
R$ 2.500
Dívida média por apostador
85%
Escondem o vício da família

O mais grave é que muitos apostadores recorrem a empréstimos com juros abusivos, agiotas e até mesmo ao crime para continuar alimentando o vício. O ciclo vicioso se perpetua: quanto mais perdem, mais apostam na ilusão de "recuperar" o dinheiro perdido.

Jovens são o principal alvo das estratégias predatórias das casas de apostas

🧠 Impactos Psicológicos e Sociais Devastadores

O Vício Digital Moderno

As apostas online foram cientificamente projetadas para viciar. Utilizam as mesmas técnicas dos jogos de videogame e redes sociais: recompensas intermitentes, sons estimulantes, cores chamativas e notificações constantes. O cérebro libera dopamina a cada aposta, criando uma dependência química real.

Destruição do Tecido Social

O impacto vai muito além do indivíduo. Famílias se desfazem, casamentos terminam, filhos ficam desamparados. O CVV (Centro de Valorização da Vida) reportou um aumento de 180% em ligações relacionadas a problemas com jogos online.

Crianças e adolescentes crescem em lares instáveis, presenciando discussões constantes sobre dinheiro e vendo seus pais em estado de desespero permanente. O trauma psicológico se perpetua através das gerações.

Alerta Médico: Psiquiatras classificam o vício em apostas como um transtorno mental grave, comparável ao vício em drogas pesadas em termos de destrutividade.
Crescem os movimentos de conscientização sobre os perigos das apostas online

⚖️ A Urgência de uma Regulamentação Rigorosa

O governo brasileiro finalmente começou a agir, mas ainda é insuficiente. A regulamentação das apostas online, que entrou em vigor em 2024, é um primeiro passo, mas não aborda a raiz do problema: o modelo de negócio predatório dessas empresas.

Medidas Necessárias Urgentes

  • Limite máximo de apostas: R$ 100 por mês por pessoa
  • Proibição de marketing: Especialmente direcionado a jovens
  • Tempo de reflexão obrigatório: 72h entre apostas
  • Verificação rigorosa de renda: Apostas limitadas à capacidade financeira
  • Tratamento compulsório: Para casos de vício severo
  • Tributação pesada: Para desencorajar a atividade

Países como Reino Unido e Austrália já implementaram regulamentações muito mais rigorosas após presenciarem os mesmos problemas que o Brasil enfrenta hoje. Não podemos esperar mais vidas serem destruídas para agir.

🆘 Como Buscar Ajuda

Se você ou alguém que conhece está lutando contra o vício em apostas, saiba que não está sozinho e que a recuperação é possível. Existem recursos disponíveis:

Onde Buscar Ajuda Imediatamente:

  • CVV - 188: Apoio emocional 24h
  • Jogadores Anônimos: Grupos de apoio gratuitos
  • CAPS: Centros de Atenção Psicossocial
  • Psicólogos especializados: Terapia cognitivo-comportamental
  • Bloqueio de aplicativos: Use ferramentas de controle parental

🛑 PARE ANTES QUE SEJA TARDE

As casas de apostas não são suas amigas. Elas são empresas frias e calculistas que lucram com o seu sofrimento. Cada real que você aposta é um real a menos para sua família, seus sonhos e seu futuro.

Não existe dinheiro fácil. Não existe sistema infalível. Não existe "recuperar o que perdeu".

O único jeito de ganhar neste jogo é não jogar. Sua família, sua saúde mental e seu futuro financeiro são mais importantes que qualquer aposta.

ESCOLHA A VIDA. ESCOLHA SUA FAMÍLIA. DIGA NÃO ÀS APOSTAS.

📢 COMPARTILHE ESTA MENSAGEM

Ajude a salvar vidas compartilhando este artigo. Cada pessoa conscientizada é uma família que pode ser preservada da destruição causada pelas apostas online.

terça-feira, 20 de maio de 2025

Parentalidade Simulada com Bonecas Reborn: Distorções da Realidade, Transtornos Psicológicos e Desafios Clínicos e Sociais.

Parentalidade Simulada com Bonecas Reborn

Parentalidade Simulada com Bonecas Reborn: Distorções da Realidade, Transtornos Psicológicos e Desafios Clínicos e Sociais

Boneca reborn

Nos últimos anos, tem se intensificado no Brasil e em diversas partes do mundo o fenômeno de adultos, especialmente mulheres, que se declaram pais e mães de bonecas reborn — réplicas hiper-realistas de recém-nascidos. O que começou como uma ferramenta artística e terapêutica passou, em muitos casos, a refletir formas de fuga da realidade e uma possível manifestação de sofrimento psíquico não tratado.

O Fenômeno da Parentalidade Reborn

As bonecas reborn surgiram como objetos de arte e, mais tarde, foram incorporadas por algumas abordagens terapêuticas para lidar com perdas gestacionais, infertilidade ou solidão. No entanto, casos recentes vêm revelando comportamentos que ultrapassam o uso simbólico: adultos atribuem nomes às bonecas, criam rotinas, exigem lugares preferenciais em transportes e chegam a levá-las a hospitais. Essa parentalidade simulada suscita preocupação clínica e social.

Ambiente com bonecas reborn

Distorções da Realidade

Quando a relação simbólica com um objeto inanimado substitui vínculos reais e compromete a percepção da realidade, há um indício de distorção cognitiva. A psicologia cognitiva define isso como uma percepção incorreta e disfuncional da realidade, onde crenças irreais são mantidas como verdadeiras. Esse comportamento pode apontar para negação de traumas, luto não resolvido ou transtornos mentais subjacentes.

Transtornos Psicológicos Associados

Estudos apontam possíveis relações entre a parentalidade reborn e os seguintes quadros clínicos:

  • Luto Patológico: quando a boneca é usada para substituir um filho perdido, impedindo o luto saudável.
  • Transtornos Dissociativos: fuga da realidade e substituição da própria identidade.
  • Transtorno Delirante: quando a crença de que a boneca é real é mantida sem questionamento.
  • Transtorno de Apego Reativo: resultado de negligência emocional, promovendo apego disfuncional a objetos.
  • Transtornos de Personalidade (esquizotípica ou borderline): com traços de pensamento mágico ou impulsividade afetiva.

Formas de Tratamento

O tratamento deve considerar o contexto emocional do paciente. Entre as abordagens mais indicadas estão:

  • Terapia Cognitivo-Comportamental (TCC): para reestruturação de crenças distorcidas.
  • Psicoterapia psicodinâmica: para explorar vínculos interrompidos e traumas.
  • Farmacoterapia: em casos com sintomas psicóticos, com prescrição médica.
  • Grupos de apoio: para promover socialização e ressignificação do sofrimento.
Sessão de terapia

Impactos na Sociedade

A normalização social de comportamentos que refletem sofrimento psíquico pode mascarar a necessidade de cuidado. Quando a mídia e o mercado reforçam práticas que evitam o enfrentamento da realidade, corre-se o risco de fomentar a solidão, a dissociação e o consumismo emocional.

Conclusão

Embora o uso simbólico das bonecas reborn possa ser terapêutico em alguns contextos, sua adoção como filhos reais por adultos aponta para desequilíbrios emocionais e requer atenção clínica. A sociedade e os profissionais da saúde mental precisam estar atentos a esse fenômeno, evitando tanto o julgamento precoce quanto a romantização de comportamentos potencialmente patológicos.

Questionário Interativo

Responda as perguntas abaixo para refletir sobre sua percepção do tema:

1. Você conhecia o fenômeno das bonecas reborn?

Sim

Não

2. Acha que o uso dessas bonecas pode ser considerado saudável em algum contexto?

Sim, dependendo do caso

Não, é sempre um sinal de desequilíbrio

3. Você acredita que a mídia tem incentivado esse tipo de comportamento?

Sim

Não

4. Esse comportamento pode ser prejudicial à saúde mental da pessoa?

Sim

Não

5. Você acredita que deve haver campanhas de conscientização sobre esse tema?

Sim

Não

quinta-feira, 15 de maio de 2025

Você seria um bom conselheiro(a)? Teste seu atendimento.

Aconselhamento Pastoral Interativo

quinta-feira, 8 de maio de 2025

O falso profeta desmascarado.

 

Qual o seu perfil psicológico?

Teste Bíblico de Perfil

📖 Teste: Qual personagem espiritual habita em você?

Responda às 10 perguntas e descubra qual perfil bíblico define melhor sua alma.

  1. Como você reage diante de uma crítica construtiva?





  2. Qual é sua maior motivação ao iniciar um projeto?





  3. Em um grupo, você costuma:





  4. Quando está sob pressão, você tende a:





  5. Você se sente mais realizado quando:





  6. Ao conversar com alguém, você costuma:





  7. O que mais te incomoda nas pessoas?





  8. Qual dessas frases mais parece com você?





  9. Num ambiente novo, você:





  10. Quando precisa tomar uma decisão importante, você:





quinta-feira, 12 de dezembro de 2024

(Será?) A iminente morte do presidente Lula.

Muitas são as especulações acerca do atual quadro de saúde do presidente do Brasil. Como agir nas sombras é a regra da esquerda, muito se tem imaginado acerca do real quadro clínico. Quando perguntado, a inteligência artificial deu a seguinte resposta.

Um paciente idoso de 79 anos com hemorragia intracraniana (HIC) enfrenta riscos elevados e desafios de recuperação significativos devido a vários fatores associados à idade avançada e à complexidade desse tipo de condição. Vamos explorar os principais problemas, taxa de mortalidade e possíveis tratamentos:


Problemas Comuns em Pacientes Idosos com HIC

  1. Fragilidade Cerebral: O cérebro de idosos tem menor capacidade de compensar danos, resultando em um risco maior de sequelas graves.

  2. Comorbidades: Doenças como hipertensão, diabetes e doenças cardiovasculares aumentam o risco de complicações e dificultam a recuperação.

  3. Redução da Elasticidade Vascular: Os vasos sanguíneos ficam mais frágeis com a idade, o que pode levar a rupturas e maior risco de recorrência de hemorragias.

  4. Declínio Cognitivo:Danos cerebrais podem piorar demências ou dificuldades cognitivas pré-existentes.

  5. Mobilidade Reduzida: Imobilidade prolongada durante a recuperação pode causar trombose venosa profunda (TVP), úlceras de pressão e pneumonia.

  6. Recuperação Lenta: A neuroplasticidade reduzida no idoso limita a recuperação funcional.


Taxa de Mortalidade

A taxa de mortalidade varia conforme a gravidade da hemorragia, a localização, e o estado geral do paciente:

  • Geral em Idosos: A mortalidade de HIC em idosos pode chegar a 40-60% nos primeiros 30 dias após o evento.
  • Gravidade e Localização:
    • Hemorragia do tronco cerebral: Mortalidade superior a 60-70%.
    • Hematomas extensos: Maior probabilidade de desfechos fatais.
  • Comorbidades: Pacientes com múltiplas comorbidades têm maior risco de complicações fatais.

Tratamento

O tratamento depende da gravidade da hemorragia, localização e das condições clínicas do paciente. As abordagens comuns incluem:

  1. Tratamento Médico Conservador:

    • Controle da Pressão Arterial: Manter a pressão arterial em níveis ideais para evitar expansão do sangramento (meta: pressão sistólica <140 mmHg).
    • Suspensão ou Reversão de Anticoagulantes: Uso de vitamina K, plasma fresco congelado ou concentrado de complexo de protrombina para reverter anticoagulação.
    • Monitorização Neurológica: Observação rigorosa para identificar sinais de deterioração.
    • Controle de Edema Cerebral: Uso de diuréticos osmóticos (como manitol) ou solução salina hipertônica.
    • Controle de Glicemia: Manter níveis adequados de glicose para evitar complicações metabólicas.
  2. Tratamento Cirúrgico:

    • Evacuação de Hematomas: Em casos de hematomas grandes, principalmente se houver compressão do cérebro ou risco de herniação.
    • Drenagem Ventricular: Para alívio de pressão em caso de hidrocefalia associada.
  3. Cuidados de Suporte:

    • Reabilitação Multidisciplinar: Fisioterapia, terapia ocupacional e fonoaudiologia para recuperação funcional e cognitiva.
    • Prevenção de Complicações: Profilaxia para trombose venosa profunda, pneumonia e úlceras de pressão.
    • Cuidados Paliativos: Em casos de prognóstico muito reservado, o foco pode ser conforto e qualidade de vida.

Prognóstico

O prognóstico depende de:

  • Tamanho e localização da hemorragia.
  • Tempo até início do tratamento.
  • Estado de saúde geral do paciente.
  • Nível de consciência na admissão (pacientes em coma têm prognóstico mais desfavorável).

A intervenção precoce e manejo adequado podem melhorar as chances de sobrevivência e recuperação funcional, mas os desafios são maiores em pacientes idosos devido às suas vulnerabilidades fisiológicas e clínicas.

segunda-feira, 28 de outubro de 2024

A divergência teológica que gerou a reforma protestante. Parte I Soteriologia.

A Reforma Protestante completará 507 anos em 2024. Em 31 de outubro de 1517, data considerada inaugural da Reforma, Martinho Lutero afixou na porta da catedral de Wittenberg as famosas 95 teses, que, na verdade, eram tópicos para debate acadêmico de teologia a serem discutidas na universidade da cidade. 
Nesses tópicos, Lutero levantava questões que colocavam em xeque muitas das doutrinas da Igreja Romana, dentre elas a doutrina das indulgências. Neste breve texto, abordaremos a Reforma dentro de sua perspectiva teológica, explorando quais pontos da doutrina católica Lutero questionava e como essas questões influenciaram os rumos da Reforma. A primeira a ser analisada será a doutrina da salvação, a soteriologia.

A teologia soteriológica medieval.

Ao longo dos séculos XI ao XVI, a teologia católica romana seguiu um caminho no qual defendia que o homem, para garantir sua salvação, deveria cooperar para assegurá-la. Ou seja, através de "boas obras", o cristão, juntamente com a graça divina, alcançaria méritos que o levariam diretamente ao céu, sem a necessidade de passar pelo purgatório para purgar seus pecados antes de alcançar o descanso eterno. Essas boas obras podiam incluir participar das Cruzadas para libertar locais sagrados do domínio muçulmano, praticar penitências, realizar obras de caridade, confessar-se a um sacerdote para obter o perdão, fazer vultuosas doações a igreja católica quando morresse, e até mesmo comprar indulgências, que ofereciam o perdão papal, diminuindo a estadia no purgatório ou livrando o fiel falecido dele.

O medo da morte e consequentemente da perda da salvação, era um dos maiores temores dos homens e mulheres do medievo. Viviam em constante temor se de fato haviam feito o suficiente para serem salvos. Em uma época em que a média de vida era de 35 anos, e podia-se morrer por quase qualquer coisa (doenças, fome, guerras...), a morte fazia parte do cotidiano, e juntamente com ela a incerteza de que se merecia ser salvo. 

Esses era um dos maiores temores do próprio Lutero. Em diversos momentos de sua vida, podemos vê-lo sendo açoitado pelo medo de não ser suficientemente bom para merecer o perdão divino. Lutero fazia penitências severas, confessava-se regularmente, tudo isso para aplacar o temor de não ser salvo. Contudo, por mais que se esforça-se, sentia cada vez mais temor. A virada de entendimento só veio quando Lutero, ao estudar a carta de Paulo aos Romanos, se deparou com a frase do apóstolo que diz: "o justo viverá da fé". Ou seja, a salvação não seria alcançada por méritos humanos, mas era um ato da graça de Deus alcançado por meio da fé, não seria pelas obras, para que ninguém se gloriasse, mas seria única e exclusivamente pela fé em Jesus Cristo.

A teologia de Lutero visava combater a ideia central do catolicismo medieval de que a salvação poderia ser, juntamente com a graça, garantida por méritos próprios. Sua descoberta não era apenas nova, mas também extraordinária, pois abalava os próprios fundamentos da ética cristã. A recompensa e o mérito, que por tanto tempo haviam sido considerados a motivação básica de qualquer ação humana, perderam a eficácia. As boas obras, que a doutrina da Igreja considerava indispensáveis, foram destituídas de sua base nas Escrituras. Essa reviravolta afetou não só a fé e a justiça, mas toda a vida e, por isso, teve de ser repensada. Nos anos seguintes de confrontação e conflito, o objetivo era um só: desvendar as implicações dessa descoberta e garantir que fossem amplamente conhecidas.

Essa foi a maior contribuição moderna de Lutero, pois ele introduziu uma nova visão sobre a salvação, uma visão que contrastava profundamente com a soteriologia católica que perdurara por mais de mil anos. O medo de não acumular méritos suficientes para ser salvo havia possibilitado à Igreja Romana o controle das massas, dominando-as através do temor de um Deus de justiça, já que somente a Igreja, por meio de seus representantes, poderia fornecer aos fiéis os meios necessários para assegurar sua salvação. Esse medo de não ser suficientemente digno de ser salvo permeou toda a cristandade medieval.

Embora Lutero, com essa nova visão teológica da salvação, não tivesse a intenção de romper com a Igreja, ele desejava reformá-la, libertando a doutrina católica da visão meritocrática da salvação e retornando-a às Escrituras, que definem a salvação como obra da graça divina, alcançada pela fé em Cristo Jesus somente.

Não pretendo, neste texto, aprofundar a distinção entre a "teologia da cruz" de Lutero e a "teologia da glória" desenvolvida na Igreja Romana, principalmente por Tomás de Aquino. No entanto, para entendermos as diferenças entre essas duas correntes teológicas, vale destacar a seguinte explicação:

A teologia da glória é centrada no homem e induz à superestimação do poder e da capacidade naturais humanos. A teologia da cruz revela a verdadeira condição dos seres humanos, como pecadores desamparados e alienados de Deus, necessitando desesperadamente do plano de salvação criado por Deus: a cruz de Cristo. A teologia da glória sugere que os seres humanos podem se elevar a Deus por seus próprios esforços, promovendo projetos humanos de salvação própria e especulação teológica. A teologia da cruz, por outro lado, proclama que os seres humanos são totalmente dependentes de Deus e incapazes de descobrir algo a respeito dEle sem Sua auto-revelação. Essa teologia conduz ao discipulado marcado pelo sofrimento em nome de Deus e do próximo.

Esse novo foco da salvação na cruz de Cristo permeia todo o pensamento teológico de Lutero. Ele enfatiza a pecaminosidade humana e a dependência da graça e misericórdia divinas para a salvação. Essa graça e misericórdia escapam ao controle humano e não podem ser compreendidas racionalmente, sendo acessíveis apenas pela fé. Em outras palavras, não há nada que o ser humano possa fazer para merecer essa graça e misericórdia de Deus; na verdade, ela é oferecida gratuitamente a todos os que creem.

Ao olhar para a Igreja Romana, Lutero via essa teologia baseada na meritocracia humana (teologia da glória). Ele desejava que toda essa base teológica fosse abandonada, sem, no entanto, destruir ou dividir a Igreja. A visão de Lutero era a de uma reforma das doutrinas soteriológicas (teologia da cruz) e de outras, sem que a Igreja Romana deixasse de ser a Igreja.

O estopim da reforma: as indulgências.

Podemos afirmar que a teologia de Lutero se inicia como resultado de sua discordância com a problemática doutrina das indulgências propagada pela Igreja de Roma. No sistema salvífico católico romano, uma das obrigações era a confissão a um padre, que assegurava o perdão de Deus. Contudo, o pensamento legalista da Idade Média sustentava que ainda restava um “saldo devedor” pelo pecado. Parte desse saldo poderia ser quitada em vida, por meio de penitências. O restante seria pago no purgatório — um lugar onde todas as almas, exceto as dos extremamente maus e as dos realmente santos, sofreriam temporariamente antes de serem admitidas no paraíso, livres de dívidas e purificadas.

Para encurtar o tempo do fiel no purgatório, existiam as indulgências, que eram certificados garantindo a remissão de parte do castigo a ser cumprido no purgatório, em troca de alguma boa ação (inicialmente, as indulgências foram criadas como incentivo para as pessoas irem às Cruzadas) ou de uma doação em dinheiro para uma boa causa. Os papas argumentavam que, como chefes da Igreja na terra, podiam usar o “excedente” das boas ações dos santos para emitir indulgências. Esse sistema já havia sido criticado por alguns pensadores, especialmente humanistas, muito antes de Lutero.

A partir de 1515, os questionamentos de Lutero começam a ganhar mais força. As indulgências foram vistas por muitos como um projeto de arrecadação de fundos para a construção da nova Basílica de São Pedro em Roma. Na Alemanha, a venda das indulgências ficou a cargo de um dos mais venais príncipes-bispos, Albrecht de Brandenburgo, que retinha uma parte das receitas para pagar os banqueiros que haviam financiado sua compra do arcebispado de Mainz. À frente da campanha estava o frei dominicano Johann Tetzel, que conduzia o negócio de forma eficiente, mas com um apelo materialista e grosseiro, usando o famoso slogan propagandístico: “Toda vez que uma moeda soa no cofre, uma alma sobe do purgatório ao paraíso.”

Esses métodos desonestos deixaram Lutero horrorizado, não só pela forma como Tetzel agia, mas também pela reação popular, que parecia ignorar completamente a necessidade de um verdadeiro arrependimento para obter o perdão genuíno. Isso só reforçou em Lutero a disposição para questionar os complexos mecanismos rituais exigidos para adquirir “mérito” aos olhos de Deus, levando-o a começar a pensar que a fé seria o único requisito para a salvação.

Dado que a Igreja, e especialmente o Papa, parecia não ter intenção de conter os abusos na venda das indulgências, focando apenas no lucro, sem considerar o arrependimento autêntico dos pecadores, Lutero começou a questionar seriamente se a Cúria estava apta a governar o "barco da cristandade" ou se ela própria necessitava de uma reforma profunda.
Na parte II, veremos como Lutero enxergava a questão dos sacramentos e do livre exame da Palavra de Deus, outros pontos que o levaram a romper com a tradição católica romana.

quarta-feira, 9 de outubro de 2024

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quarta-feira, 18 de setembro de 2024

O surgimento do conceito político de direita e esquerda.

O conceito de "direita" e "esquerda" na política tem suas raízes na Revolução Francesa, mais especificamente nos eventos que ocorreram durante a Assembleia Nacional Constituinte de 1789. Esta divisão, que se tornaria fundamental para a compreensão da política moderna, emergiu de uma maneira quase acidental, baseada na disposição física dos deputados na assembleia.

Na época, a França estava passando por uma transformação radical. O antigo regime absolutista estava desmoronando, e os representantes do povo se reuniram para criar uma nova constituição e um novo sistema de governo. A Assembleia Nacional Constituinte era composta por deputados de diferentes origens e com diferentes visões políticas.

O momento crucial que deu origem a essa divisão ocorreu durante um debate sobre o poder do rei na nova ordem constitucional. A questão central era se o rei deveria ter o poder de veto sobre as decisões da Assembleia. Esta discussão fundamental sobre a estrutura do poder no novo regime levou a uma polarização física na sala.

Aqueles que apoiavam um papel mais forte para o rei e queriam preservar mais elementos do antigo regime se sentaram à direita do presidente da Assembleia. Este grupo incluía principalmente a nobreza e o alto clero, que temiam perder seus privilégios e status com mudanças radicais.

Por outro lado, aqueles que defendiam mudanças mais profundas e um papel mais limitado para o monarca se sentaram à esquerda. Este grupo era composto principalmente por membros do Terceiro Estado - a classe média e baixa - que buscavam reformas significativas na estrutura social e política da França.

Esta divisão espacial logo começou a refletir diferenças ideológicas mais amplas. A "direita" passou a ser associada com o conservadorismo, a tradição e a manutenção da ordem estabelecida. A "esquerda", por sua vez, tornou-se sinônimo de mudança, reforma e, em alguns casos, revolução.

É importante notar que, neste estágio inicial, os termos "direita" e "esquerda" não tinham as conotações complexas que adquiriram mais tarde. Eram simplesmente descrições literais da posição física dos deputados na assembleia. No entanto, à medida que a Revolução Francesa progredia e as tensões políticas se intensificavam, esses termos começaram a adquirir significados mais profundos e nuançados.

Ao longo do século XIX, à medida que os sistemas parlamentares se espalhavam pela Europa e além, esta terminologia foi adotada em outros países. Os conceitos de direita e esquerda evoluíram para abranger uma gama mais ampla de questões políticas, econômicas e sociais.

A direita passou a ser associada não apenas com o conservadorismo tradicional, mas também com ideias como o livre mercado, o nacionalismo e, em alguns casos, o autoritarismo. A esquerda, por outro lado, abraçou causas como o socialismo, o igualitarismo e a expansão dos direitos civis.

É crucial entender que, embora esses termos tenham se originado de uma disposição física específica em um momento histórico particular, eles evoluíram para se tornarem conceitos fluidos e complexos. Hoje, a divisão entre direita e esquerda pode variar significativamente dependendo do contexto nacional e histórico.

Além disso, muitos pensadores políticos argumentam que este espectro linear é uma simplificação excessiva da realidade política. Existem muitas nuances e posições intermediárias que não se encaixam perfeitamente nesta dicotomia. Alguns sistemas políticos modernos reconhecem isso, incorporando partidos de centro ou adotando modelos mais complexos para mapear ideologias políticas.

Apesar dessas limitações, os conceitos de direita e esquerda continuam a ser ferramentas úteis para entender e categorizar posições políticas em muitos sistemas democráticos ao redor do mundo. Eles fornecem um quadro de referência simplificado, mas amplamente compreendido, para discussões políticas e análises eleitorais.

Em conclusão, o surgimento dos conceitos de direita e esquerda no parlamento francês durante a Revolução Francesa foi um momento pivotal na história do pensamento político. O que começou como uma disposição física acidental em uma sala de assembleia se transformou em um paradigma duradouro para compreender e categorizar ideologias políticas. Embora simplificado e às vezes inadequado para capturar toda a complexidade da política moderna, este espectro continua a moldar nossa compreensão e discussão de ideias políticas até os dias de hoje.

quinta-feira, 8 de fevereiro de 2024

O pedido

Lendo o capítulo 10 do evangelho de Marcos, encontramos alguns relatos interessantes. O texto começa com a pergunta dos fariseus acerca do divórcio e a explicação de Jesus sobre esse assunto. Passa pela passagem de Jesus abençoando as crianças e ensinando que o reino dos céus será alcançado por aqueles que são como as tais. Depois nos conta a triste história do mancebo de qualidade, que tinha tudo para ser um grande discípulo, mas amou mais ao dinheiro do que a Jesus. 

Após esse episódio, Marcos relata o pedido dos filhos de Zebedeu, Tiago e João. No relato do mesmo assunto feito por Mateus, este poupa os discípulos e diz que o pedido partiu da mãe dos dois, embora os dois tenham participado da solicitação. Depois de Marcos ter relatado todo o imbróglio que isto causou, e como Jesus remediou a situação, o capítulo dez termina com o relato da cura do cego Bartimeu.

Dentre essas diversas histórias bem diferentes uma das outras, duas é possível fazer uma ligação através de algo em comum, a saber, a pergunta de Jesus que faz: O que queres que te faça?

Observe que nos dois últimos assuntos do capítulo dez de Marcos, é sobre duas petições, uma pedindo por vanglória, outra para ser resolvida uma necessidade. 

O pedido de ambos revelam o maior desejo de seus corações. Receberam a oportunidade de ter seus pedidos atendidos pelo próprio Senhor Jesus, mas um obteve sucesso e outro não pode ser atendido.

Boa parte de nossas petições diante de Deus são motivadas por interesses próprios, que são exclusivos para nossa satisfação. Geralmente acabamos pedindo algo que, para nós, parece ser um benefício, que irá melhorar a nossa vida, mas que na verdade poderá acarretar situações bem complicadas para alcançarmos o que desejamos. 

Algumas petições entram em conflito com a vontade de Deus, sendo então, em muitos casos, ignoradas por causa do propósito divino. Orar de acordo com a vontade de Deus é um desafio que exige de nós uma profunda comunhão com o Espírito Santo, para podermos estarmos alinhados com aquilo que ele deseja para nós. Neste sentido, o pedido dos filhos de Zebedeu não se enquadravam dentro daquilo que Deus tinha como seu propósito, sendo assim, negada a petição devido a esta estar fora do que Deus já havia planejado para ambos.

A oração não existe para que seja usada como ferramenta para conseguirmos obter de Deus o que queremos. A oração não é o meio pelo qual mudamos o coração de Deus. Embora em alguns casos, pareça que através da oração, Deus tenha sido convencido a mudar de opinião, isso fica claro no caso do rei Ezequias Is 38.1-8, que depois de ter orado e chorado muitíssimo teve a sua sentença mudada. 

A oração é meio pelo qual podemos colocar diante de Deus as nossas necessidades, de podermos entrar em concordância com a sua vontade, para que possamos ser atendidos naquilo que precisamos e que Ele tem para nos abençoar. A oração muda mais o nosso coração, quando humildemente pedimos que seja feita a vontade de Deus. A oração é meio pelo qual podemos ser atendidos prontamente, ou testados em nossa perseverança. Todo pedido feito em oração, deve ser feito com a fé de que oramos para aquele que pode nos atender.

Muitos casos de oração não são respondidos, porque são feitos com um sentimento egoísta, vingativo, sem fé ou por motivos mesquinhos. A oração é a chave para a mudança da nossa situação a medida que ela nos muda.

Um dos problemas das oração não respondidas são os requerimentos que ela exige para ser eficaz, ou seja, para se obter perdão divino, nós devemos perdoar Mt 6.14-15. Para sermos atendidos temos que orar crendo Hb 11.6, pois sem fé é impossível obter a resposta divina. Devemos orar em muitos casos com persistência, Mt 7.7-11, pois jamais Deus não responde a oração de seus filhos, mesmo que seja com a negativa da petição, mas a resposta virá.

A oração ela deve ser feita como um meio para se obter aquilo que necessitamos e vá glorificar a Deus com a benção concedida. Devemos sempre estar em oração, pois é através dela que podemos estar sempre em contato com Deus.


sexta-feira, 29 de dezembro de 2023

Vencido pela sensualidade.

 Atualmente há um comportamento corriqueiro entre os homens mais velhos (entre 35 a +60 anos) de se relacionar com mulheres mais novas. Não são poucos que tem a preferência de ter ao seu lado uma mulher de 10, 18 e até 25 anos mais nova. Alguns vivem com essas mulheres o seu segundo relacionamento, geralmente após um divórcio. Alguns poucos casos são homens que casam pela primeira vez com mulheres bem mais novas que eles e em outros casos, raros também, são de viúvos que encontram em mulheres jovens uma nova oportunidade de ser feliz no amor.

Não há nenhum erro em você casar com uma jovem. Os críticos dizem que para o homem é mais fácil manipular uma garota nova. Outros argumentam que as mulheres mais "maduras" na idade, geralmente estão vindo com uma bagagem, seja de relacionamentos anteriores, de conceitos formados difíceis de mudar e até a questão da estética, que comparada com as jovens é uma luta desigual pois as jovens tem a questão do tempo como aliado.

Mas o que me tem surpreendido é a quantidade de homens que estão deixando suas famílias para viverem um novo relacionamento com as mulheres mais novas. Isso não é fato novo, mas tem tomado novos contornos atualmente. Pois com a desvalorização da durabilidade do casamento, com a facilitação da dissolução dos laços matrimoniais, hoje termina-se um relacionamento para se começar um novo com uma nova mulher. É como o homem que troca de carro pelo modelo mais atual por ser mais bonito, mais confortável, mais potente, mesmo que isso signifique ter um gasto mais para a manutenção do carro novo, mesmo quando o mesmo esforço e dinheiro investido no seu antigo carro, lhe daria a tranquilidade e confiança de ter ao seu lado um bom veículo por muitos anos.

A analogia não é muito adequada mais explica como esses homens atuais tem deixado esposa, filhos, casa, uma história inteira para viver um novo romance. Romance esse que lhe dá a sensação de vigor, de masculinidade e prazer, já bem diminuído com o passar dos anos ao lado de sua antiga companheira. Mas porque isso tem tomado uma proporção tão grande atualmente? O que leva boa parte dos homens a desejarem e procurarem mulheres novas, atraentes para se relacionarem, mesmo com certa idade?

Dentre as muitas questões, psicológicas, econômicas, sociais que possam evolver a resposta, uma boa parte dela se explica pela sensualidade, ou seja, pela volúpia que pelos olhos levam os homens a cometerem alguns erros.

Mas como o cristianismo pode ajudar a entender esse processo? Como a bíblia pode nos ensinar a não sermos influenciados pelos nossos desejos? E quais as consequências que decisões baseadas nos desejos podem nos ocorrer?

É impossível falar de desejo, de cobiça, de mulher, sem citar o rei Davi. Este homem que poderia ter a mulher que desejasse, e que na verdade já tinha mais de uma mulher, mas por causa do desejo, atraído pelos olhos, quis exatamente aquilo que lhe era vedado. Se Davi não tivesse visto Betsabá nua a se banhar, ele não a desejaria, pois ali a cobiça dos olhos que o levou a cometer tal pecado.

Ou seja, o homem que põe os seus olhos naquilo que sua carne, seu desejo interior mais quer, será um passo a mais para fazê-lo a ceder a sua vontade, mesmo que esta lhe seja proibida. 

Com esse ato motivado pela volúpia, pelo desejo e cobiça, Davi amargou consequências terríveis, tendo a sua família destroçada por assassinatos, traição, rebeldia e violências sexual. As consequências da ceder a tentação são maiores que os prazeres que a tentação pode oferecer.

Outro exemplo de homem que foi vencido pela sensualidade foi Herodes. Instigado por sua sobrinha/afilhada, Herodes foi atraído pela beleza e juventude da moça. Ao dançar, sensualmente, diante dos convivas, Salomé despertou em Herodes o seu desejo reprimido, escancarou sua vontade impossível, mas que motivado pelo álcool, que já devia ter consumido em excesso, abriu a boca para dar vazão ao seu desejo oculto.

A dança de Salomé diante de Herodes o fez cair na sua armadilha sensual, como animal que é alimentado e engordado para o abate, foi satisfazendo o seu desejo até exclamar em êxtase, "pede o que queres...". Quando engodados pelo desejo, o homem age sem pensar, não pesa as suas palavras e nas consequências de suas atitudes. Levado pelo desejo irrefreável, o homem quando cede aos seus desejos sensuais se torna dominado por aquilo que ele devia dominar, suas vontades. Por causa disso, Herodes ao ceder as vontades sexuais teve que conceder aquilo que menos desejava. É assim que acontece ao homem que foi derrotado pelas suas vontades, perde o direito de negar aquilo que lhe é mais caro. 

Herodes apesar de ter prendido a João Batista, ouvia, e tinha certo respeito por se tratar de um profeta, mas quando vencido por Salomé com seu jogo de sedução, teve que entregar em uma bandeja aquilo que ele tanto protegia. 

Davi, perdeu a paz em sua casa, colheu a discórdia, assassinato e rebelião. Herodes, perdeu o profeta que na prisão ele protegia contra Herodias, mas ambos, por causa de sua vontade não refreada, foram levados derrota.

quarta-feira, 11 de outubro de 2023

Trechos Bíblicos. A natureza do pecado.

A natureza perigosa do pecado.

Algumas pessoas ridicularizam o conceito de pecado, definindo-o com o uma mera proibição, feita pelos judeus, contra a diversão. Esses indivíduos dizem algo semelhante àquilo que a serpente disse a Eva no jardim do Éden. A serpente sugeriu que Deus estivesse impedindo Eva de ter algo verdadeiramente necessário e que lhe traria grandes benefícios (Gn 3.4,5).

As Escrituras, porém, afirmam que o pecado é perigoso e destrutivo, e não algo divertido ou benéfico. 0 pecado tem consequências devastadoras, que devem ser alvo da nossa atenção. Como o livro de Romanos afirma, o pecado escraviza as pessoas e exige que elas obedeçam a sua concupiscência (Rm 6.6,12,20).

Várias passagens no Novo Testamento aludem à natureza perigosa do pecado:

• Os que pecam destituídos estão da glória de Deus (Rm 3.23). As pessoas, apanhadas na dura armadilha do pecado, não podem mais ter nem desenvolver em sua vida a santidade que Deus pretendeu quando elas foram criadas.

• O pecado é iniquidade (1 Jo 3.4). 0 pecado diz respeito a uma vida que busca agradar primeiramente o eu, em lugar de agradar a Deus, constituindo uma “lei para si mesmo”.

• Toda iniquidade é pecado (1 Jo 5.17). Quando nós pecamos, ofendem os ao Deus que ama a justiça e a retidão, e não a impiedade e a injustiça (Rm 1.18).

• Se apenas soubermos o que é bom, isso não faz de nós pessoas boas, mas pecadores (Tg 4.17). Sendo assim, o pecado envolve a desobediência consciente. É agir contra o que é certo, chegando mesmo a aprovar o pecado cometido pelos outros (Rm 1.32).

Essa é uma situação muito séria. Mas chega a ser surpreendente que todo ser humano seja parte dessa situação. A Bíblia declara: Não há um justo, nem um sequer ( Rm 3.10; com pare com 2 Cr 6.36a; Rm 5.12b) e, também, que todos pecaram e destituídos estão da glória de Deus (Rm 3.23).


O pecado está longe de ser uma simples matéria de qualquer religião ou um conjunto de hábitos pessoais. Pelo fato de Deus ser soberano sobre todo o mundo - sobre países, nações, povos e tudo mais - o mau uso de qualquer item da criação implica em pecar contra ele. Nós somos responsáveis por todas as dimensões da vida. Nada é realmente secular, no sentido de estar apartado dos cuidados do Senhor.

Dois tipos de pecado.


A existência do pecado tornou necessário o plano de salvação de Deus em Cristo. Tecnicamente, o pecado é qualquer falta de conformidade com a vontade de Deus ou com Seus padrões — com tudo aquilo que está de acordo com o plano de Deus para nós. No Antigo Testamento, havia sacrifícios pré-ordenados para que fossem perdoados os pecados cometidos por ignorância.
É essa concepção mais abrangente de pecado que leva alguns a acreditarem que todos os cristãos pecam diariamente em palavras, pensamentos e ações. Porém, a Bíblia indica que Deus nos torna particularmente responsáveis pelos atos conscientes de transgressão, rebelião ou omissão (Jo 9.41; Rm 1.20,21; Tg 4.17).

A segunda form a de pecado descrita na Bíblia é decorrente da natureza humana decaída, a inclinação de todas as pessoas para cometerem atos individuais de pecado. Todos têm essa inclinação para o m al; essa é uma herança recebida de Adão (Rm5.12,18,19). Essa tendência universal para a oposição à vontade de Deus recebe nomes com o: pecado original, mente carnal, herança pecaminosa, velho homem, pecado inato, depravação moral e natureza pecaminosa. É uma disposição inerente para o
pecado, uma inclinação de todos para o cometer atos pecaminosos.
É importante observar que a Bíblia distingue os atos pecaminosos da natureza pecaminosa. Os pecados que geralmente cometemos, mas nem sempre, são mencionados no plural: Quantas culpas e pecados tenho eu? Notifica-me a minha transgressão e o meu pecado (Jó 13.23); perdoa-nos os nossos pecados (Lc 11.4). Em contraste, a natureza pecadora normalmente é caracterizada com o uma qualidade ou disposição singular do espírito humano (Rm 7.14,17,20,25; 8.2).

A distinção entre o pecado com a disposição natural e o pecado com o um ato não é indicada apenas pela menção no singular e no plural do term o “pecado”, mas deve ser analisada pelo contexto, que permite interpretar o pensamento do escritor. O pecado com a inclinação da natureza fica evidente quando o contexto enfatiza uma disposição inerente para o mal, com o na crítica feita por Paulo aos coríntios em 1 Coríntios 3.3: Porque ainda sois carnais, pois, havendo entre vós inveja, contendas e
dissensões, não sois, porventura, carnais e não andais segundo os homens. O clamor de Davi - Cria em mim, ó Deus, um coração puro e renova em mim um espírito reto (SI 51.10) — reflete uma realidade do pecado que é mais profunda do que as meras ações; diz respeito a uma pecaminosidade inerente, que requer uma completa limpeza.

O novo comentário bíblico NT, com recursos adicionais
— A Palavra de Deus ao alcance de todos.
Editores: Earl Radmacher, Ronald B. Allen e H.Wayne House
Rio de Janeiro: 2010 (Romanos)

sexta-feira, 22 de setembro de 2023

Qual a orientação bíblica sobre o divórcio e casamento?

A Bíblia não legisla sobre cada detalhe da vida, ela não é um manual detalhado sobre cada uma das ações humanas dizendo o que se pode ou não se pode fazer. Há muitas orientações bem claras na palavra de Deus, outras, no entanto, não são tão específicas sobre o assunto abordado.

Sem contar que, a Bíblia fora escrita em um período muito distante do nosso, onde a cultura de seu tempo era outra, além de ter o componente linguístico, o que contribui mais ainda para a dificuldade de se compreender o que o autor sacro quis dizer e como as pessoas que o ouviram o entenderam. Se havia dificuldade das pessoas que viviam no mesmo período do escritor em saber, e entender o que de fato ele disse, quem dirá nós que vivemos em períodos tão distantes, com culturas diferentes e uma língua diferente.

Contudo, isso não serve de desculpa para dizer que a bíblia é ultrapassada, precisando assim de uma atualização. A bíblia ela é atemporal, Deus usou aqueles homens que a redigiram para alcançar os ouvintes daquela geração, e para todas as demais gerações que viriam. A questão aqui não é a atualidade da palavra de Deus, é a compreensão dessa mesma palavra por nós, que estamos tão distantes da realidade cultural e linguística de seus autores. As vezes damos sentido a um texto que o mesmo não possui, isso porque nós o olhamos com as lentes da nossa realidade.

Esta introdução é para justificar que, algumas coisas que a bíblia não fora clara o suficiente, deixa margem para diferentes interpretações. Pois o texto bíblico na ausência de uma afirmação clara e objetiva, deixa para os exegetas um difícil caminho de interpretação. Respeitando é claro, todas as normas e regras da exegese (contexto histórico, linguístico, cultural..) pode-se chegar ao entendimento do objetivo do autor com aquelas palavras naquele contexto. Por isso, quando analisamos as afirmações dos personagens bíblicos, devemos fazer segundo os conceitos e padrões de seu tempo, não incorrendo no erro de dar sentido do que foi dito para nós, sem levar em conta o sentido para os contemporâneos. 

Quando então vamos abordar o que o texto bíblico diz sobre determinado assunto, devemos entender como aquelas pessoas o entendiam, e qual o objetivo do autor em escrever tal mensagem. Logo, a questão de casamento, divórcio, prostituição e outras, devem ser entendidas segundo o contexto daquela época e como ele serve para nos instruir em nosso próprio contexto. 

Casamento.

O casamento fora instituído por Deus, e isso antes mesmo da queda do homem. Deus o estabeleceu no período de inocência, no Éden. O próprio Deus realizou o primeiro casamento e nele deixou instruções de como o homem e a mulher deveriam agir ao casar-se.

Com a costela que havia tirado do homem, o SENHOR Deus modelou uma mulher e a conduziu até ele. Então exclamou Adão: “Esta, sim, é osso dos meus ossos e carne da minha carne! Ela será chamada ‘mulher’, porquanto do ‘homem’ foi extraída”. Por esse motivo é que o homem deixa a guarda de seu pai e sua mãe, para se unir à sua mulher, e eles se tornam uma só carne. O homem e a mulher viviam nus e não se envergonhavam. Gn 2.22-25 (grifo meu).

Não vou entrar em detalhes o motivo e o que o autor quis dizer em "deixará o homem seu pai e sua mãe para então unir-se a sua mulher". Embora Adão não tivesse pai e nem mãe para os deixar, assim como Eva, percebe-se que a orientação não fora para eles, mas para os que viriam depois.

Assim, o casamento é a união de um homem com uma mulher, pois assim Deus os formou, para completude, onde os dois tornam-se uma só carne na união que é sacramentada com o ato íntimo sexual. Esta união é física, emocional e espiritual, indo além do quesito morar juntos e coabitar. 

Logo vemos que o casamento é algo criado por Deus, sendo assim atemporal, válido em todas as épocas e enquanto houver seres humanos. Ficando estabelecido como casamento a união de um homem com uma mulher, fugindo do princípio divino toda e qualquer relação que envolva outro tipo de união que não seja essa.

Uma questão que fica para nosso tempo é: Por casamento se entende como união civil, união religiosa ou união sexual? Aos olhos de Deus o casamento só é válido quando validado pela instância civil e religiosa? Somente a civil basta, ou só a religiosa, ou quem sabe ao morar junto com uma mulher e viver maritalmente com ela aos olhos de Deus já são vistos como casados? Ou ao ter relações com uma mulher na união de corpos significa uma união marital? 

A sociedade hoje entende como casamento válido a união civil entre duas pessoas, no âmbito cristão, é a união de um homem com uma mulher, sendo realizado na esfera jurídica, ou seja, em cartório, por autoridade competente. A esfera religiosa não interfere nesse sentido, pois não depende de autoridade eclesiástica para ter validade. A igreja considerará a pessoa casada mesmo que a mesma não tenha feito uma cerimônia religiosa, o casamento civil já garante o status de casado. 

Se alguém casar na esfera religiosa, civilmente essa união não tem validade, ela deve ser ratificada na esfera civil. Logo entendemos que para a união de casamento ser válida, na nossa realidade cultural ocidental, deve ser feita na esfera civil, realizado por autoridade competente para validar tal união. Então podemos resumir que no nosso tempo presente, levando em consideração a realidade brasileira, o casamento só é de fato casamento ao fazer a união civil juridicamente. Ou no caso de haver o casamento religioso com efeito civil. Isso ocorre quando, após a celebração religiosa, o casal apresenta, em um prazo de 90 dias, o termo de casamento emitido pela autoridade religiosa para formalização perante o registro civil. De todas as formas, somente com o registro em cartório o casamento passa a ter validade.

Então um casal de namorados que vivem em prática sexual frequente com planos de se casar, não pode argumentar que já são casados diante de Deus, pois na união sexual se concretiza o casamento. Isso é uma desculpa para aliviar o peso da consciência do pecado de fornicação. Pois o casamento só o é de fato, como vimos, quando é sacramentado juridicamente. Viver juntos ou na prática sexual não configura casamento, nem para a igreja, nem civilmente. O casal que vive junto, sem civilmente estar casado, é chamado de amasiado, ou estando em união estável.

União estável.

E a união estável, é casamento? É fornicação? Primeiro vejamos o que é união estável. 

A união estável foi estabelecida no ordenamento jurídico pelo Código Civil - Lei nº 10.406, de 10 de janeiro de 2002. No qual diz: 

"É reconhecida como entidade familiar a união estável entre o homem e a mulher, configurada na convivência pública, contínua e duradoura e estabelecida com o objetivo de constituição de família."

Mas para a questão religiosa, esse casal não é considerado casado. No âmbito jurídico a pessoa em união estável não tem o seu estado civil alterado permanecendo no seu registro geral como solteira, mesmo em união estável. Com isso, consideramos no âmbito religioso, que esse casal vive em fornicação, que é a prática sexual antes do casamento. Embora os mesmos possam ser considerados em união estável, tendo alguns direitos de quem vive na situação de casado. 

Não vou entrar aqui em detalhes jurídicos que diferenciam o casamento da união estável. Mas quando dois cristãos deliberadamente resolvem morar juntos sem oficializar a união, eles são considerados amasiados, e sua relação é uma relação fornicária, mesmo que vivam maritalmente.

Mas aí a coisa se complica quando uma das partes envolvidas na relação não for cristã. A igreja considerará a parte cristã como fornicária? 

Essa é uma das realidades existente na igreja hoje em dia, onde há muitas mulheres e homens que vivem maritalmente com seus cônjuges em união estável, não casadas em cartórios.

Muitas se converteram e eram, e alguns casos, impedidas de estarem em comunhão devido ao seu estado civil, vivendo junto a um homem sem ser casado com ele. 

Ponto pacífico é que, nenhum casal cristão pode se escusar de não casar e ir morar junto com a desculpa que vivem em união estável, sendo considerados com os mesmos direitos e deveres de quem de fato é casado, isso não é verdade. Logo, um casal cristão que vive junto sem ser casado, os dois estão em prática pecaminosa reiterada, logo a sua comunhão com a igreja não é permitida, pois vivem na prática pecaminosa. 

Agora quando um dos cônjuges se convertendo a Cristo e vindo para a igreja, mesmo não sendo casado, mas morando com uma pessoa e não estando ao alcance dela unilateralmente converter essa união em casamento civil, a mesma deve ser aceita no corpo de membros de Cristo. O apóstolo Paulo foi bem claro nessa situação.

A todos os demais, eu particularmente, não o Senhor, vos digo: Se algum irmão tem mulher descrente, e esta se dispõe a viver com ele, não se divorcie dela. Da mesma forma, se uma mulher tem marido incrédulo, mas este consente em viver com ela, não se separe dele. Porquanto o marido descrente é santificado por causa da esposa cristã; e a esposa incrédula é santificada por causa do marido crente. Se assim não fosse, seus filhos seriam impuros, mas agora são santificados. I Co 7.12-14

Embora aqui talvez a ideia seja de uma união civil sacramentada, o mesmo vale para as uniões estáveis, onde o casal vive como casados mesmo sem a união civil estabelecida. Porque alguém poderia dizer: Eu vivo em união estável, ao me converter meu esposo(a) não quer mudar nossa relação de união estável para união civil, logo irei me separar pois estou vivendo em pecado de fornicação. Não acredito que essa é a solução aceitável e recomendável. Em caso de uma das partes não querer converter a união estável em união civil, o marido/esposa cristã deve manter o relacionamento, pois se não fosse a conversão não continuaria morando juntos? Então porque agora ao se converter irá se separar? Alguns poderão usar desse argumento para separar-se e contrair um casamento civil, contudo o mais prudente e recomendável é que, a parte cristã busque a união civil, mas não estando ao alcance dela, continue a viver com seu cônjuge, pois se tivesse casado civilmente não iria orar para a conversão de seu cônjuge, o que impede de orar para a conversão dele estando em união estável? E assim ele/ela ao se converter, terá o entendimento que deverá transformar a sua união estável em união civil.

Logo penso ser aceitável que a pessoa ao se converter a Cristo estando em união estável, deva ser recebida, após o batismo, como membro efetivo do corpo de Cristo, participando da comunhão juntamento com os demais irmãos. 

Peca ao viver em união estável o irmão ou irmã que tendo a possibilidade de casar civilmente não o faz deliberadamente. Alguns com intuito de não perder pensões, ou algum outro benefício, usando assim de artimanha para manter o que possuí. Isso é pecado duas vezes, uma por usar de engano e outra de não casar quando se pode e deve casar civilmente, já que vive como casados em união estável.

Como já dito anteriormente, nenhuma pessoa que já é membro do corpo de Cristo poderá viver um relacionamento em união estável. Um irmã(o) que se unir com outra pessoa com intuito de formar família, viver como casados, sem oficializar essa união, ele peca, devendo ser afastado da comunhão pela prática pecaminosa de fornicação(prostituição). Isto porque, o correto seria um cristão casar-se com outro cristão, pois a bíblia recomenda enfaticamente que não devemos nos unir com os infiéis, o que infelizmente tem se tornado prática comum dentro da igreja, casamento entre um cristão e uma pessoa ímpia.

Jamais vos coloqueis em jugo desigual com os descrentes. Pois o que há de comum entre a justiça e a injustiça? Ou que comunhão pode ter a luz com as trevas? Que harmonia entre Cristo e Belial? Que parceria pode se estabelecer entre o crente e o incrédulo? E que acordo pode existir entre o templo de Deus e os ídolos? Porquanto somos santuário do Deus vivo. Como declarou o próprio Senhor: “Habitarei neles e entre eles caminharei; serei o seu Deus, e eles serão meu povo!” Portanto, “saí do meio deles e separai-vos, diz o Senhor, e não toqueis em nada que seja impuro, e Eu vos receberei. Serei para vós Pai e sereis para mim filhos e filhas”, diz o Senhor Todo-Poderoso! II Co 6.14-18 (grifo meu)

Então uma pessoa ao casar-se, deve-o fazer com alguém que comunga da mesma fé, pois por melhor que seja a pessoa ímpia, a Bíblia recomenda que não deva haver uma união de corpos, pois isto é um jugo desigual. Mas aquele que se casa com um ímpio, não tem nada que o impeça de permanecer como membro da igreja, mesmo que seu cônjuge seja um infiel. Desde que, essa união seja civilmente estabelecida. Infelizmente o cônjuge cristão deverá ter a consciência de que a sua escolha poderá acarretar problemas futuros, mas que ela/e não poderá lamentar-se pois a sua escolha foi feita sabendo das recomendações contrárias. 

Divórcio

Essa é a parte mais complicada das interpretações bíblicas sobre os textos que tratam sobre esse assunto. Isto porque a bíblia é vaga em certas passagens dando margem para interpretações distintas.

Primeiramente é importante salientar que o divórcio não foi instituído por Deus. Ele não criou o casamento para depois de casados o casal se venha a separar-se. Mas por causa do pecado, que desvirtuou tudo aquilo que Deus criou bom e perfeito, foi dada a concessão do divórcio. Como o homem ou a mulher, poderiam transgredir o mandamento bom e perfeito do casamento, Deus então possibilitou a ambos terem uma maneira de saírem do laço indissolúvel do casamento. Pois se Deus não houvesse dado essa concessão, o casamento seria tido como indissolúvel, e o homem e a mulher estariam presos um ao outro independente dos erros cometidos pelos cônjuges. 

Por isso, devido a dureza do coração do homem e da mulher em perdoar a ofensa, e também da dureza do coração de ofender a quem não devia, foi concedido essa saída, para que houvesse a possibilidade de haver uma nova união diante de Deus. Haja vista que o casamento não seria mais indissolúvel, só o sendo em caso em que não houvesse motivo plausível para sua dissolução.

Então tenhamos em mente que para Deus o casamento é de fato indissolúvel, e ao casarmos devemos ter em mente que estamos casando para todo o sempre, "até que a morte os separe". Esses tem sido um erro muito frequente nas uniões atuais, onde diante dos problemas conjugais, julgam melhor separar-se do que enfrentar a dificuldade e seguir juntos. Muitos casamentos poderiam ser salvos se os cônjuges tivessem a mentalidade que, independentemente da adversidade, a separação não é uma opção. Mas devido a fraqueza de compromisso em manter o casamento, em situações banais, os casais preferem divorciar-se para garantir a "sua felicidade", do que ter que enfrentar os momentos tristes que são normais em uma relação longa e duradoura como o casamento.

Mas já que o casamento é indissolúvel, quais foram então as possibilidades concedidas por Deus para que houvesse uma ruptura do laço indissolúvel do matrimônio. Vejamos.

Quando um homem tiver esposado uma mulher e formalizado o matrimônio, mas pouco tempo depois descobrir nela algo que ele reprove e por isso deixar de querê-la como esposa, ele poderá dar à sua mulher uma certidão de divórcio e mandá-la embora. Dt 24.1
Observe que não há aqui uma especificação sobre o que seria esse: "descobrir nela algo que ele reprove", podendo ser qualquer coisa motivo para pedir o divórcio. Sendo assim, a união do casamento desvirtuou-se na prática exagerada de divórcios por motivos mais banais possíveis. Em outra tradução o texto declara: "Se não achar graça em seus olhos, por nela achar coisa feia", é tão ambígua como a primeira.

A grande discussão ficou entre duas correntes rabínicas, a escola da Shammai interpretava que esta coisa ambígua chamada "coisa feia" ou "algo que ele reprove", só poderia ser adultério. Não estamos aqui discutindo por exemplo, se o marido descobrisse que a esposa não era mais virgem ao casar-se, isso poderia levar a anulação do casamento. O pecado teria que ser cometido durante o casamento, não antes dele. No caso da moça virgem, viesse a casar, e posteriormente adulterar, então o marido tinha o direito de pedir o divórcio.

Já a outra escola de interpretação, mais liberal, era a de Hillel, ascendente do rabino citado nos evangelhos Gamaliel. A escola de Hillel defendia que ao contrário de Shammai que só via o pecado de adultério como o único possível de pedir a dissolução do casamento, o marido poderia pedir divórcio sob qualquer pretexto. Isso gerou uma onda de divórcios com os mais absurdos motivos.

A discussão sobre o motivo que poderia ocorrer o divórcio ou não era existente ainda no tempo do Senhor Jesus, levando os rabinos da época a perguntar a Jesus a qual visão interpretativa ele defendia, se a de Shammai ou de Hillel.

Foi dito também: ‘Aquele que se divorciar de sua esposa deverá dar a ela uma certidão de divórcio’. Eu, porém, vos digo: Qualquer que se divorciar da sua esposa, exceto por imoralidade sexual, faz com que ela se torne adúltera, e quem se casar com a mulher divorciada estará cometendo adultério. Mt 5.31-32 grifo meu.

Observemos que Jesus não aboliu o divórcio, mas identificou a cláusula de exceção. O motivo válido para o divórcio seria a imoralidade sexual

O que faltava para a lei ficar clara com relação ao divórcio não era como o divórcio devia ocorrer, isso já estava claro que seria através da carta de divórcio, liberando assim a mulher e o homem para novas núpcias, quanto a isso não havia dúvidas. A dúvida era, qual o motivo válido para se divorciar. Essa é a grande questão que ainda perdura em nossos dias, pois as interpretações são muitas.

Replicaram-lhe: “Então por qual razão mandou Moisés dar uma certidão de divórcio à mulher e abandoná-la?” Ao que Jesus declarou: “Moisés, por causa da dureza dos vossos corações, vos concedeu separar-se de vossas mulheres. Mas não tem sido assim desde o princípio”. Eu, porém, vos afirmo: “Todo aquele que se divorciar da sua esposa, a não ser por imoralidade sexual, e se casar com outra mulher, estará cometendo adultério”. Mt 19.7-9 grifo meu.

Observe que o princípio da possibilidade de divórcio é o mesmo, a imoralidade sexual dentro do casamento. Não há aqui uma outra possibilidade além dessa. O próprio Cristo declara que seria este o único motivo para haver o divórcio e um novo casamento sem estarem incorrendo no pecado de adultério, pois aos olhos de Deus aqueles que se divorciam sem ser por este motivo, estariam ainda ligados a seu cônjuge até que a morte os separe. Lembrando aqui que o adultério poderia ser de ambas as partes, a mulher poderia pedir divórcio de seu marido se ele a traísse, não sendo exclusividade dos homens poderem divorciar-se. Assim Cristo estabelece uma igualdade de direitos entre os sexos, como fora propósito de Deus desde o início. Isso a lei judaica não permitia, teria que ser do homem o pedido de divórcio. Cristo abole essa distinção colocando que a imoralidade sexual era a única exceção para dissolução do casamento, e essa imoralidade poderia ser cometida por ambas as partes, dando direito a ambas as partes em pedir o divórcio. 

Mas se a única referência a divórcio no novo testamento fosse essa, isso traria muitas complicações. Estaria assim Cristo muito mais próximo a escola de Shammai de interpretação do que a de Hillel.

Então qual seria a segunda referência que temos para avaliarmos a possibilidade bíblica para um divórcio? A primeira sempre será de Cristo, depois de seus apóstolos que continuaram o ministério evangelístico de propagar o reino dos céus. 

Então seguindo os escritos bíblicos, vamos encontrar nos escritos do Ap.Paulo outras referências acerca da natureza do casamento e da possibilidade de sua dissolução.

Todavia, ordeno aos casados, não eu, mas o Senhor: Que a esposa não se separe do marido. Se, porém, ela se separar, que não se case, ou que se reconcilie com o seu marido. E que o marido não se divorcie da sua esposa I Co 7.10-11

A primeira questão defendida pelo apóstolo Paulo é a indissolubilidade do casamento. Não separe, se separar, fique sem casar novamente, ou se possível, se reconcilie com seu marido, esse era o mandamento para casais cristãos. De todas as formas a orientação acerca do casamento deve ser: Não se separe!

Contudo, não havendo a possibilidade de se manter o vínculo do casamento, quais as possibilidades bíblicas para se contrair um novo matrimônio?

No entanto, se o incrédulo decidir separar-se, que se separe. Em tais circunstâncias, nem o irmão nem a irmã estão sujeitos à servidão; pois Deus nos chamou para vivermos em paz. I Co 7.15

Então atrelado ao ensino do Senhor Jesus que o casamento só poderia ser desfeito devido a "imoralidade sexual", está a cláusula de exceção do abandono por parte do infiel. Veja que a pessoa tratada aqui como aquele que se vai é o infiel, isto porque o Ap.Paulo não via a possibilidade de um cristão divorciar-se de sua esposa(o) cristã(o), pois ambos seriam regidos pela lei do amor, logo não haveria imoralidade sexual dentro do casamento e também o desejo de abandono, pois como pessoas em Cristo seguiriam o exemplo e modelo de casamento divinamente estabelecidos, que Paulo exemplifica em outras passagens. 

Esposas, cada uma de vós respeitai ao vosso marido, porquanto sois submissas ao Senhor; porque o marido é a cabeça da esposa, assim como Cristo é a cabeça da Igreja, que é o seu Corpo, do qual Ele é o Salvador. Assim como a igreja está sujeita a Cristo, da mesma forma que as esposas estão em tudo sujeito aos seus próprios maridos. Maridos, cada um de vós amai a vossa esposa, assim como Cristo amou a sua Igreja e sacrificou-se por ela, a fim de santificá-la, tendo-a purificado com o lavar da água por meio da Palavra, e para apresentá-la a si mesma como Igreja gloriosa, sem mancha nem ruga ou qualquer outra imperfeição, mas santa e inculpável. Sendo assim, o marido deve amar sua esposa como ama seu próprio corpo. Quem ama sua esposa, ama a si mesmo! Pois ninguém jamais odiou o próprio corpo, antes o alimenta e dele cuida, assim como Cristo zela pela Igreja, pois somos membros do seu Corpo. “Por esse motivo, o homem deixará pai e mãe e se unirá à sua esposa, e os dois se tornarão uma só carne.” Este é um mistério grandioso; refiro-me, contudo, à união entre Cristo e sua Igreja. Portanto, cada um de vós amai a sua esposa como a si mesmo, e a esposa trata o marido com todo o respeito. Ef 5.22-33 

Paulo não vê a possibilidade do divórcio Cristão, a única possibilidade seria a separação para viver uma vida casta, sem casar-se novamente, pois se casasse estaria comente adultério. Quando afirmo isto, tenho em consideração quando não há motivos plausíveis para o divórcio. Se a mulher ou o homem decide divorciar-se simplesmente porque tem o desejo de se ver livre do seu cônjuge, ele o pode fazer, mas desde que não se case novamente. Mas aqui fica uma pergunta. Se a parte que deseja ir embora pecará ao contrair novo casamento, a parte que foi deixada também pecará se casar-se novamente? Jesus não disse que aquele que repudia a sua mulher a não ser por causa da imoralidade sexual, dando a carta de repúdio (divórcio) não comete adultério ao casar-se novamente, e a mulher repudiada não seria adúltera ao novamente casar-se? 

Quem se separar de sua esposa e se unir a outra mulher estará cometendo adultério; assim como, o homem que se casar com uma mulher divorciada estará igualmente adulterando. Lc 16.18

Acredito que aqui a única possibilidade de cometer adultério é da pessoa que pediu o divórcio, não a pessoa que sofreu o divórcio. Se o homem pediu, ao casar novamente adultera, se a mulher pediu, ao casar novamente adultera. Ou seja, se uma das partes não quis o divórcio, mas a outra parte desejou, a que não quis seria livre para casar-se novamente, pois segundo o apóstolo Paulo: "Em tais circunstâncias, nem o irmão nem a irmã estão sujeitos à servidão; pois Deus nos chamou para vivermos em paz. I Co 7.15. Embora esse não seja um pensamento definitivo, tendo outros uma interpretação diferente, considero injusto para a parte ofendida, ter que viver preso ao antigo cônjuge mesmo quando este não o quer mais, tendo que esperar a morte deste para casar-se novamente sem cometer o pecado de adultério. E se o outro casar novamente, estaria a pessoa então livre para casar-se, ou ainda assim casando cometeria adultério? E se a pessoa que desejou ir embora, e não casou-se novamente, a parte deixada não poderia casar porque a outra não casou? Não é fácil a solução, mas devemos usar de bom senso para entender que a parte ofendida (que não quis) não pode ficar sujeita a parte que quis, pois não estamos sujeitos a servidão.

No caso então do abandono, a pessoa abandonada estaria livre para casar-se novamente. Isto primeiramente o Ap.Paulo tem em relação a casais mistos, ou seja, do crente com a descrente. Partindo do princípio que o cristão já era casado quando se tornou cristão, pois nenhum cristão deve casar-se com um infiel. E estando já casado, uma das partes converte-se, de maneira nenhuma deve deixar o outro cônjuge simplesmente por ele(a) não ser cristã(o). A orientação é que cada um fique na vocação em que foi chamado. Foi chamado sendo casado, permaneça casado, mesmo que seu marido/esposa seja um infiel. Mas no caso de o infiel decidir separar-se, o irmão estará livre para casar novamente, agora deverá casar com um fiel. 

Mas no caso do casal cristão, uma das partes decidir separar-se, o outro separado poderá casar novamente? Como já deixamos claro acima, a pessoa abandonada teria assim direito a casar novamente, sem cometer o pecado de adultério, pois ela não pode obrigar o outro(a) a ficar, e nem poderá ficar preso ao outro até a sua morte, pois não depende dela a permanência da união de ambos. E aquele que decidiu separar-se sendo cristão, ao casar novamente peca cometendo adultério? Se não houve imoralidade sexual, e abandono da outra parte, estará a meu ver adulterando, porque não há nada que corrobore com a dissolução do casamento. Então diante de Deus, segundo a palavra de Jesus, ele estaria violando a indissolubilidade do casamento. 

Então somente o abandono e a imoralidade sexual seriam as causas possíveis para haver um divórcio? Aí que a coisa fica mais complicada ainda, pois há muitas variantes que podem interferir nessa equação.

A cônjuge que sofre agressão verbal e física poderá pedir o divórcio? O cônjuge que não recebe atenção sexual, sendo privado de ter relações com seu cônjuge poderá pedir o divórcio? Há tantas outras possibilidades que neste texto ficaria impossível abordar cada uma delas. Então o que posso dizer é que, cada caso deve ser analisado segundo a luz da palavra de Deus, para então orientar aos envolvidos no que Deus gostaria que fosse feito. Somente com a orientação do Espírito Santo poderemos dar um parecer mais próximo do que diria o Senhor Jesus. Então deixemos essas outras possibilidades para um outro texto.

 

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